terça-feira, 10 de março de 2015

Encontro em Contos - Parte II

- Cacete, minha blusa de linho, disse ele dando um salto para trás.
- Meu laptop! Minhas anotações, cara você não olha por onde anda? Perguntou procurando o note, as chaves, o óculos da cabeça, tudo.

Ela abaixada, recolhendo o note retorcido do chão, ele soltando a mão da namorada, já enfurecida, procurando não deixar o vinho escorrer  até as calças. Tarefa quase inútil.

- Gata, você tem que olhar por onde anda.
- Gata? Gata? Você é idiota? Você destrói o meu note e ainda me chama de gata? Eu não sou gata, e você vai ter que pagar o conserto.

- Você poderia carregar menos coisas, ou comprar uma bolsa maior, assim não corre o risco de esbarrar  e detonar a camisa de linho de outro cara, ainda mais sendo a camisa um presente que ele acabou de ganhar da namorada, disse rindo entre os dentes.

O bar inteiro e inclusive, o dono tristonho, de repente se perderam naquela cena. Uns buscando apaziguar, outros ajudando a juntar as muitas partes dela que estavam espalhadas pelas escadas do bar, outros esperando uma reação e ainda os que estavam embasbacados com a beleza do casal que acabara de entrar.

- E você poderia ser menos metido a gostosão, achando que é dono de todos os espaços. Mas, você vai arcar com as despesas do meu note, isso vai, disse ela rangendo os dentes, sem deixar de notar como aquela mulher ao lado dele era incrivelmente linda e perfeita.

- Gata, esse é o menor dos nossos problemas, amanhã ele estará novo em suas mãos, disse ele sem mover-se do lugar onde estava. Apenas pacientemente aguardando o guardanapo que a namorada estendia para que ele pudesse evitar maiores estragos na branca camisa de linho, infelizmente sem sucesso.

Aquela calmaria a irritava, como alguém que acabava de levar um banho de vinho e que teria de arcar com os custos do conserto de seu note poderia estar tão tranqüilo. Não era costumeiro a ela, resolver questões com o sexo masculino de forma tão fácil.

- Vou precisar dele para sexta-feira que vem. Tudo que tenho está dentro desse note. Preciso dele para sexta-feira. Não posso perder tempo, eu preciso dele na sexta, dizia ela repetidamente.

- Gata, você está parecendo o ‘coelho da Alice’. Se você se acalmar e me der seu telefone, e anotar o meu, amanhã mesmo resolveremos esse assunto. Tenho um amigo que pode consertar isso rápido. Vou ao banheiro consertar essa bagunça, minha namorada vai deixar meu telefone com você e pegar o seu, foi um prazer te conhecer, disse ele já a caminho do banheiro.

Como assim?  Aquilo estava mesmo acontecendo ou a convivência diária com o sexo masculino estava lhe deixando mais dura? Não era fácil estar sob o crivo diário de três editores que lhe pediam as pautas mais absurdas que jamais seriam dadas a ela se não fosse mulher. Ela sabia que isso não definia a maioria dos homens, mas, lhe tirava a esperança de encontrar alguém que fosse cortês apenas. Retirou da bolsa o bloco e a caneta e deixou o número de telefone, anotou o dele, sob o olhar fulminante e reprovador da NAMORADA e saiu carregando o note retorcido, ainda torcendo para que ele voltasse antes de sua partida. Ele não voltou.

Seguiu em direção ao carro, pagou os 9 reais de estacionamento para o flanelinha que não tinha troco e levou seu um real embora, entrou no carro ainda sem entender direito o que havia ocorrido e seguiu para o destino seguinte de todas as sextas feiras. O cafofo dos amigos, recém-casados, onde rolava sempre uma conversa política de fim de semana, um passeio pelos resultados do futebol e a lasanha da melhor amiga do mundo. Eles ainda não tinham filhos, e ela mesmo depois de dois anos não se acostumava com à ideia de não encontrar a amiga no fim da noite e lhe contar sobre seu novo conto na sala bagunçada do apartamento que dividiam. Ela diria: -Mais um? Quando você vai mostrar isso pra mais gente amiga?  E teria a resposta de sempre, um dia, ou talvez nunca. Agora tinha que ir à casa do casal, arrumadinha, com persianas e tapetes, quase careta, mas cheia de aconchego ainda que não admitisse e sempre em alguma parte da conversa tentasse trazer à lembrança os momentos no antigo apê.

Ele era bacana, e os dois haviam se conhecido no verão, ele vindo curtir a cidade e arrumar qualquer bico de verão e ela fazendo um extra para mobiliar o quarto. Foi intenso, foi casamento. Ainda nem entendia ao certo o que tinha acontecido, e como havia sido tão rápido. Justo ela que dizia com todo o ar de seus pulmões que o casamento era instituição falida. Como dizem, nunca diga nunca.

-Cara, você não sabe o que rolou lá no bar, o cara detonou meu note, com tudo dentro, todos os meus contos, toda minha pesquisa. E o cara só me disse pra deixar o telefone que ele consertaria. Disse que precisava dele para sexta. Estava com uma mulher linda, tinha que ver. Dever ser um desses pegadores de modelo, só pode. Ai meu note, meu vinho, disse sem conter a cara feia.

-Amiga, você não acha que está exagerando? O cara esbarrou em você ou vocês se esbarraram? Eu já te vi saindo do bar e você viaja, disse rindo com a típica cara de deboche que ela sempre odiou.

- Não, estava dando tchau para o cara triste, não consigo ir embora sem dar tchau, aquele homem vive naquele lugar, com aquele gato, não posso sair sem dar um último adeus. O cara sabe o que eu bebo e a hora que eu chego há dois anos! Ele é quem estava distraído com ...ah deixa pra lá.

- Deixo, mas me conta, como ele era? disse rindo e deixando ela mais irritada ainda.

- Ah vai, nem sei, sei lá, alto, estiloso, aquele moda da barba grande e coque no cabelo, camisa de linho branca, calça jeans trash, tênis. Sei lá, um cara comum. Foi apenas nesse momento que percebeu o quanto aquele cara era mesmo interessante.

- Cara comum? Você acabou de descrever o Jared Leto! Me conta mais….

- Ah cara, não, não, esquece esse cara.

Ela esqueceu, porque sabia que não podia forçar demais, senão ela empacava. Conversaram sobre a economia, sobre os últimos detalhes do Petrolão- de forma apaixonadamente exaltada, riram, devoraram a lasanha e a sobremesa que ele foi comprar porque como sempre tinha saído do bar viajando e tinha esquecido de levar a sobremesa, sua única responsabilidade das noites de sexta. Foi na hora da despedida que se deu conta de que talvez, de verdade, a culpa tinha sido dela. Como foi deselegante, o cara não poderia pagar por um descuido que também era dela. Talvez fosse melhor esquecer aquele episódio. Na segunda resolveria a questão do note, agora era hora de casa, emfim casa.

Depois de um dia exaustivo o silêncio do apartamento lhe trazia paz, ainda que estando no centro na cidade, na rua mais movimentada. Banho e cama, o cheiro dos lençóis recém trocados eram um convite a bons sonhos. Zapeou a TV e se entediou, rolou as atualizações do WhatsApp nada de novo, checou o Twitter e o Facebook, mais do mesmo. Sentiu a cabeça leve e o sono chegando quando foi tomada de assalto pelo mais ardente desejo, e o rosto daquele desconhecido estava em seus pensamentos. Sentiu um arrepio lhe subir pelas costas, tentou se desvincilhar daquele pensamento, mas a lembrança do toque ainda que sútil e do cheiro dele lhe deixavam excitada demais para ignorar.

As mãos percorriam o corpo e o desejo aumentava, o calor e o rubor da face denunciavam o tesão naquele homem que havia por um instante visto, imaginou sua mãos ao redor da cintura, imaginou-se invadindo o banheiro e arrancado-lhe a camisa manchada de vinho, e o sexo rolando ali mesmo no bar, podendo ser descobertos a qualquer momento, enquanto a NAMORADA escrevia seu telefone em um pedaço de papel, esperando. Imaginou como seria ser comida por ele, ter seus seios entre suas mãos. Um belo tapa na bunda. Ardia de desejo, pensando nele, permitiu-se apenas porque sabia que ele seria apenas mais uma de suas fantasias para masturbação.  E as ondas de orgasmo se aproximavam, aquele tremor que sobe aos poucos e que é seguido da explosão que invade o corpo. Pensou: - Dedico esse orgasmo à você, delicioso desconhecido. Riu, achando graça daquele momento delicioso. Masturbação nunca foi um problema para ela. E em seguida, pegou no sono, sábado era o seu dia, dia dedicado à suas coisas secretas, precisava de disposição. O orgasmo caiu bem para um bela noite de sono.

Eram duas da manhã, e os sonhos eram o que lhe restava na noite, quando o celular tocou, do outro lado a voz grossa e meio rouca dizia:   - A namorada foi para casa, podemos nos encontrar?


Continua na próxima terça. :D

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sexo Semanal - O ânus da questão

“Assunto delicado, controverso e particular”. Essa é a primeira frase que passa na minha cabeça antes de começar a perguntar sobre sexo anal.  Há prazer  e muito no sexo anal, é o que me contam os personagens de hoje. Achei que esse seria o tema mais tabu de todos e que deixaria todos contrangidos. Mas não, a participação foi tão intensa que tive que selecionar os comentários.


Me diverti fazendo a coluna essa semana, a cada pergunta era uma gargalhada. Começo as perguntas direto e reto “E aí sexo anal, rola? Como é pra você? Dói? Sente prazer?”.  Escrevi sem rodeios para não assustar, nem constranger, mas que susto e constrangimento que nada. Fui bombardeada com explicações, comentários, dicas, pequenas historinhas, e até nomes de produtos. Que meninas levadinhas.


“Para mim rola, mas eu tenho de estar muito na vibe para não sentir dor. Mas se não estiver na vibe rola também, mas com um pouco de dor. Nem acredito que falei isso. Sou super tímida para falar sobre esse assunto. Lembro que a primeira vez foi com meu marido, e doeu pra caramba, risos. Doeu mesmo só na primeira vez, depois era só preciso estar na vibe pra ter prazer. Eu gosto muito, sinto prazer no sexo anal. A gente usa óleos de sex shop ou anestésico local, como xilocaína “, contou ela rindo um pouco tímida, por ser a primeira vez que participa da coluna.


O ponto central sobre sexo anal é sempre a quantidade de tesão que se sente no momento, é quase unânime a questão levantada, de que só é bom quando ela está relaxada e cheia de tesão. E aqui as preliminares são um fator decisivo para o sucesso do ato. Como diz uma delas, “Sexo anal é um trunfo e só os bons conseguem”. Na verdade não só os bons, mas os preparados e os que investem em conhecimento sobre a questão. Dica para os interessados, o google está cheio de tutoriais, estudem antes porque segundo as minhas colaboradoras uma primeira ruim, leva a nenhuma mais.


Pergunto a uma amiga de longa data e ela me responde “Eu gosto muito, mas dói. Não é algo que faça parte das conversas com meu atual namorado. Só tentamos duas vezes. Mas já tive outras experiências, em outros relacionamentos, e era muito bom. Sentia menos prazer do que o sexo vaginal, mas era ainda assim muito bom. A primeira vez foi horrível, e levei anos para tentar de novo, doeu mais do que perder a virgindade. Quando tentei de novo, foi muito bom, me deu outra visão sobre o assunto”.


Na questão do sexo anal as más experiências deixam marcas negativas, especialmente se a mulher não está preparada física e emocionalmente. Mais do que certificar-se de utilizar os lubrificantes corretos é preciso estar bem emocionalmente.  Tal qual a perda da virgindade para algumas mulheres o sexo anal é uma nova primeira vez, dor, tensão, medo. O parceiro precisa também estar concentrado e paciente. Na verdade tudo no sexo deve ser consensual.É bastante óbvio que aqui estamos falando de um casal com mais afinidade, mas na balada em uma primeira vez juntos, será que rola sexo anal? Ou será o sexo anal uma questão de intimidade?

Uma amiga mais baladeira me conta que "Depende, depende do dia, de quanto você pratica e se rolou química sexual entre os dois". "Na noite a gente vive um pouco de tudo, mas para mim, não rola, eu só pratico sexo anal quando tenho um parceiro fixo, ou quando estou transando com alguém pelo menos pela terceira vez. Eu sou meio metódica, sabe?", disse outra com um semblante professoral.


“Pra mim sempre rola, se dói ou não, depende muito o nível de excitação, por isso prefiro começar com sexo oral ou papai e mamãe mesmo. Eu sinto muito prazer, gozo e não sinto diferença do prazer vaginal. Faço sexo anal sempre porque não uso anti-concepcional ou preservativo. Para lubrificar usamos gel ou saliva e muitas vezes é na base do hidratante mesmo”, contou uma das meninas me fazendo pensar sobre o sexo anal como forma de evitar a gravidez. E sobre o hidratante que a nossa amiga contou, ele inclusive, além de ser muito bom, segundo alguns sites em que pesquisei, ainda hidrata e diminuiu o atrito. A diminuição do atrito, aumenta a dor mas eleva a níveis incríveis o prazer.


Aqui vale lembrar que usar preservativo é uma prerrogativa. Mesmo em se tratando de um casal, mesmo que estejam há anos juntos. Há um grande grupo de infectadas com o HIV, entre as mulheres casadas, o assunto é sério e eu não poderia deixar de fazer um adendo sobre a questão. Sexo só com camisinha. Lembrando que sexo não é só penetração. 
Se cuida moçada.
Essa minha colaboradora é um furacão, poderosa, “Eu particularmente adoro! Dá um mega tesão, mas só consigo uma vez por semana por conta do desconforto.Mas quando estou recuperada, corro para o abraço. No começo eu quase morria, mas agora eu mesma peço para o maridão. A dor é só no momento da penetração, depois é só relaxar e ser feliz”. Rio alto e tenho certeza de que lido a cada novo artigo com mulheres poderosas.

Mas não posso deixar de citar as menos eufóricas com o assunto “ Como sou casada há 10 te digo que já tentei algumas vezes, meu marido é super paciente e carinhoso, só que eu particularmente não achei graça, não consegui relaxar e não senti absolutamente nada prazeroso. Apenas um desconforto, não sei se posso chamar de dor, enfim, compenso a falta de sexo anal com outras artimanhas, me contou uma colaboradora novinha em folha.


“Tentei uma vez, meu marido queria muito, mas acho que ele foi com muita sede ao pote, e me machucou. Doeu pra caramba, chorei e até hoje aquela lembrança me aterroriza. Tenho desejo, quero experimentar mais vezes, talvez mais por saber que ele deseja muito. Eu tenho orgasmos múltiplos e sou muito bem servida no sexo vaginal, talvez isso me afaste um pouco do sexo anal. Quero tentar, mas acho que temos um entrave nesse quesito, nada que não possa ser resolvido com carinho e cuidado, sem cobranças ou pressa”, disse outra mais comedida.


Vivemos sob pressão no quesito sexo. Faço, não faço, se faço ele fica feliz, se não faço compenso de outra forma. De alguma forma temos desejo de satisfazer. Quando o parceiro é bacana e compreensivo, fica tudo ótimo, mas e quando ele não compreende? Será que estamos dispostas a desagradá-los? Sabemos lidar com essa pressão? E se simplesmente você quiser passar a vida sem sexo anal? Algum peso ou cobrança vai pairar sobre o relacionamento dos dois?Afinal o sexo anal é uma premissa?


O sexo anal é difícil mesmo para a maioria, mas algumas dicas podem te ajudar na decisão de tentar ou não entrar no rol de praticantes de sexo anal, assim como as minhas colaboradoras. Se você tem desejo e curiosidade a dor passa a ser secundária. Estando relaxada muita coisa boa, se é que você me entende, pode acontecer. Comece devagar, no seu tempo, nunca faça sem camisinha ou lubrificantes ou anestésicos. Os anestésicos podem mascarar a dor e se você se machucar não vai perceber. As melhores posições são sentada, assim você pode controlar a intensidade ou de lado, assim seu parceiro pode além da penetração estimular seu clitóris e seios.


E no mais, é relaxar, afinal o sexo não pode nunca é ser um tabu, conversar é sempre o melhor caminho. Para ambos os sexos, e relacionamentos, o principal é respeitar os limites do outro e chegar a um consenso. Sexo tem que ser gostoso, ser uma decisão dos dois.


Divirtam-se e boas gozadas nesse fim de semana para todos e todas!













Olá, eu sou Camila Raupp

Essa coluna é feita a muitas mãos, seja você também um colaborador ou colaboradora. Estou no zap - (22) 99806-8537 ou por e-mail: camilarauppcom@gmail.com



terça-feira, 3 de março de 2015

Encontro em Contos - Parte I

Uma lenta sensação subia pelas costas, um arrepio, um desejo, um frio inesperado. As lembranças daquele encontro lhe invadiam com tanta força que não conseguia mais concentrar-se em nada. As letras no computador  pareciam tão distantes quanto o gosto da boca dele na sua. Já se passara um semana e ela ainda não conseguia se recuperar daquela tarde, dia , noite, não sabia quantas horas haviam passado naquele espaço atemporal entre um orgasmo e outro.

Uma semana antes, era uma tarde quente depois de um dia chato no escritório. Pilhas de relatórios, muitos telefonemas, pessoas chatas e tóxicas. Tudo que ela queria era uma cerveja gelada. Mas a vida andava um pouco tediosa. Não havia se dado conta de que a semana havia passado mais uma vez.

O pôr do sol se aproximando, avistado de sua mesa chata, em sua posição chata, em seu trabalho chato. Ela olhou no relógio, pulou da cadeira, correu para o banheiro meteu um batom vermelho nos lábios, ergueu o vestido com um cinto amarrado à cintura, tirou a legging que lhe dava um ar comportado, soltou os cabelos e caprichou no gatinho no canto dos olhos. Estava pronta.

Não convidou ninguém, não ligou para a melhor amiga, nem para a colega de trabalho, a noite era dela e de mais ninguém. Entrou no carro e olhou-se no retrovisor, se achando linda e poderosa, a dúvida não era um sentimento, seguiu seu destino. Uma happy hour com ela mesma no topo do morro de frente para o mar, para começar a noite, ou abrir os trabalhos, como ela odiava ler no facebook. Como companhia, a noite que chegava e uma cerveja gelada.

Ela não fazia questão de companhia quando não queria companhia, ela gostava das próprias idéias quando sentava com uma cerveja gelada na mão e um note à sua frente. Seu encontro era com as palavras, com as frases que se formavam a cada toque no teclado. Uma ideia que se transformava em um conto, em uma história, não importava, era só uma fantasia, uma fantasia que ninguém sabia que ela cultivava, mas que se preparava religiosamente para cumprir a cada sexta-feira, naquela mesma posição, naquele mesmo lugar.Já nem lembrava há quanto tempo seguia o mesmo ritual, era uma das partes de um comportamento que ninguém tinha acesso a não ser ela mesma, e gostava disso. Era mais excitante, como se a qualquer momento alguém pudesse descobrir seus segredos. 

Eram sempre as mesmas pessoas. No bar o cara estranho e solitário escondido na cidade, quase frustrado, quase feliz. A menina alegre que servia as mesas, sempre disposta a oferecer todos os drinks da casa a cada visita sua, o cara do violão, triste, que simplesmente tocava o mesmo repertório semanalmente sem nenhuma novidade e o gato que passeava por entre as mesas como se nós é que atrapalhássemos seu caminho. Era o mais perto que ela tinha de um núcleo familiar, estava há tanto tempo na cidade e tão longe dos seus, que adorava ser parte daquele ambiente.

Já passava das dez, era mais ou menos naquele horário que desmontava a cara de matadora e ia para casa; parte disso era pose, outra era apenas cansaço e desânimo com os mesmos caras e as mesmas cantadas. Era tão difícil entender que o batom e o vestido eram para ela mesma? Eles eram simplesmente desinteressantes, bonitos até, mas não seriam capazes de mais do que um, dois encontros. Exigente? Talvez. Não importa, a companhia dela mesma era melhor, mais interessante. Alguns, algumas vezes alguns deles seguiam com ela, ou ela seguia com eles, nada mais do que uma noite, ou uma madrugada.

Estava de saída, note na mão, bolsa no ombro, celular e chaves do carro na outra, acompanhados da última taça de vinho, que sempre fechava a noite.Virou-se mais uma vez para acenar ao triste dono de bar. O mundo parou por um instante naquele choque. Bolsa, celular e chaves junto com o note espalhados pelo chão do bar. Uma camisa branca de linho ensopada de vinho, um computador quebrado um homem e uma mulher furiosos. A fúria durou apenas dez segundos, até o olhos se cruzarem.


Continua na terça que vem....... ;)


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sexo no Carnaval

Escrever uma coluna de sexo no Carnaval é quase óbvio. Tudo no Carnaval é sexo. As fantasias, as passistas, a música, os bombados, os blocos, o carnagay, a praia, o “Chupa, mas não Baba” em Búzios. Tudo transborda sexo. E a impressão que a gente tem, ou que pelo menos eu tenho, é que todos estão consumidos em hormônios.

Nas esquinas, ninguém se importa de estar com o mínimo de roupa possível, andar na rua com orelhinhas e rabinho de gatinha (ok, eu confesso ano passado foi a minha fantasia), homens vestidos de mulher e adorando isso, casais-mesmo os mais recatados- sambando e gargalhando ao som de “olha a cabeleira do Zezé”. Misturados a sucessos do funk em ritmo de marchinha (ok, confesso de novo, ano passado eu baixei o CD inteiro de marchinhas cantadas pelos ídolos do funk).


O Carnaval foi feito para transar? Todo mundo transa no Carnaval? E como? Onde? Em que lugar? Na boate? No meio da rua? Na praia? No cantinho? Onde? Essa foi a pergunta que fiz durante a semana. No Carnaval, onde você transa? Conversei com pessoas de Búzios e Cabo Frio, cidades da Região dos Lagos. 


“Aqui em Búzios, todo mundo, nativo ou não, sabe que a praia do Canto é uma praia que ajudou muitos jovens a terem suas primeiras experiências sexuais. Em Búzios não pode ter motel, as pousadas não alugam quartos para o pernoite, então quem tá a fim de transar sem compromisso se vira na beira da praia ou nos cantos. A praça hoje tem ficado assim também, depois das duas da manhã, rola de tudo. Eu não estou mais no auge da minha juventude, mas usei muito a praia do Canto”, relatou uma entusiasmada mulher buziana nascida e criada na cidade. 


“Não temos motel e pousada é caro, o que eu e algumas amigas sempre fizemos foi escolher a casa de alguém de confiança e terminar a noite por lá”, comentou com ares de saudosismo uma das minhas colaboradoras.


“Eu prefiro não fazer sexo no Carnaval, no máximo curto uma masturbação, um boquete, que, aliás, é um clássico que nunca sai de moda. Tenho medo, ta cheio de doença venérea por aí. Já basta o que gasto em cerveja, depois ter que gastar com médico e antibiótico não dá.”, essas são as palavras de uma foliã de carteirinha. 


Que fique claro que, segundo um lema entre os meninos, “ boquetinho não se rejeita”.
“Na hora do tesão a penetração é o que menos importa, mão naquilo e aquilo na mão também quebram um galhão. Ih até rimou. Mas tem o carro também, a entrada da Tartaruga é ótima para encostar o carro e mandar bala”, as gargalhadas expressou uma divertida colaboradora dessa coluna. 
Lembrando que transar no carro em via pública é considerado um ato obsceno, configurando o crime com pena de detenção de três meses a um ano ou multa, previsto no Código Penal Brasileiro (capítulo VI art. 233). É você pode ser preso. Então a menos que você curta muito se arriscar, recomendo ter moderação e pesar as consequências. 


Seguem uma serie de comentários que recebi durante a pesquisa para essa coluna momesca: 
“Eu não sei, nunca precisei, vou descobrir pela sua coluna, hehehehe”.


“As árvores ajudam bastante, é só encostar e começar o roça-roça, logico que é preciso ter cuidado, olhar se não tem muita gente em volta, e ter cuidado porque muitos pais levam os filhos no bloco. A gente tem que ter cuidado para não ferir a liberdade do outro”.


“É na rua mesmo, no carro. Já vi gente transando até entre uns carros que estavam estacionados. E aqui em Búzios ainda tem o atrativo das praias! Praia do Canto nessa época é motel a céu aberto!”.
“A praia da Brava era um lugar muito bom, sempre mais deserto, conheço muita gente que frequentava. Búzios é um lugar com bastante lugar escondido, reservado. Mas era outra época, hoje a segurança pesa na hora de escolher um lugar deserto”. 


Vale lembrar que assim como no carro, fazer sexo em público é atentado ao pudor, então ou você se segura e encontrar um lugar, um quarto, uma pousada pagando à diária, vai pra casa ou corre o risco de parar na delegacia. Mesmo na madrugada. E parece bem claro que a praia preferida dos “foliões” é a do Canto. Então cuidado quem for de bobeira só olhar o mar hein, pode acontecer uma surpresa, ou você acabar sendo convidado para o evento, se é que me entende.


Cabo Frio 
“Aqui em Cabo Frio a gente tem mais opções, tem motel, mas mesmo assim tem gente que prefere se arriscar. Sexo é muito bom, todo mundo gosta, mas tem que ter hora e lugar. Ninguém que está só pra se divertir e seguir o trio tem obrigação de ver as pessoas se comendo feito animais no cio. O evento que existia no Carnaval por aqui era o evento do sexo ao ar livre”.


“Os motéis em Cabo Frio são ótimos eu e meu namorado sempre frequentamos. Ser solteiro e fogoso é difícil. Eu moro com meus pais e não me sinto a vontade pra transar com eles em casa. No Carnaval é certo que a diversão rola com mais intensidade.” 


Não posso finalizar a coluna sem tocar no assunto sexo seguro. Transar é ótimo, mas mesmo para quem te parceiro fixo e se previne é bom ficar ligado. Segundo pesquisa da UniCarioca divulgada na última semana, 88% dos jovens consultados admitem que poderão fazer sexo sem camisinha durante o feriado. Foram entrevistadas 1.074 pessoas durante o mês de janeiro, 73% delas jovens entre 18 e 29 anos. Sexo no Carnaval rola, e muito, mas precisa ser de forma segura e principalmente consensual. Nada de forçar ninguém a fazer nada que não tenha vontade. Curtir com a galera solteiro, namorando ou casado é sempre uma boa pedida.


Bom restinho de Carnaval para todos nós, com ou sem sexo. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Pompoarismo


Cones de Pompuarismo
Passei a semana pesquisando sobre o tema da coluna dessa semana, o Pompoarismo, a técnica que consiste em contrair os músculos da vagina. Existe muita informação disponível sobre o assunto, mas poucas pessoas que praticam.
O pompoarismo é conhecido mais pelas acrobacias rotineiras em filmes de sacanagem, o que atrapalha um pouco no quesito seriedade do assunto. Quem nunca assistiu aquelas bolas tailandesas voando pelos ares. O pompoarismo tem um fator de poder na relação. A mulher que domina a arte tem a capacidade de conduzir o orgasmo do parceiro. Um poder que não pode ser negligenciado. Afinal, o que sempre escuto na maioria das conversas que tenho é que o orgasmo poderia ser melhor se o parceiro demorasse mais. 

O pompoarismo é muito mais do que só um acessório para aumentar a libido e ter mais prazer. E poucas pessoas sabem disso, apesar da internet e dos blogs e sites estarem recheados de informações. O pompuarismo ajuda na prevenção da flacidez e do alargamento da genitália, ajuda as mulheres que tem incontinência urinária ou que sentem dores durante a relação. Assim  como precisamos de exercícios para o bumbum e coxas - obsessão de 10 entre 10 mulheres,  a região íntima da mulher precisa de malhação. Isso mesmo precisamos malhar os músculos da vagina. Mas é preciso ter paciência,  assim como você não chega na academia e sai levantando 10kg, é preciso realizar os movimentos de forma gradativa. E muito menos, faze-los sozinha, um peso errado pode causar sérias lesões que podem levar semanas para sarar.

Um bom exercício para começar é se conhecer, já falamos sobre isso antes. Um espelhinho e uma boa dose de curiosidade ajudam bastante. Massagens e buscas na sua "colega" vão te ajudar a relaxar e começar os exercícios. O pompoarismo deve ser realizado com a ajuda de profissionais, mas para começar alguns exercícios podem te ajudar a se sentir mais confiante e procurar um curso. Primeiro, imagine que você está erguendo um peso dentro da sua vagina, vá elevando aos poucos até o máximo que conseguir e depois vá descendo devagar. Um exercício simples que você pode fazer durante o dia, inclusive agora enquanto lê este artigo. Mas, se você é daquelas que não se contenta com pouco pode tentar os famosos pesinhos. Os pesinhos vão ajudar no tônus da sua musculatura vaginal e conforme for ganhando força os pesinhos aumentam, e conseqüentemente, a sua libido e o seu prazer. Depois, as bolinhas tailandesas, bastões. Existe uma gama de produtos no mercado erótico que podem assustar no começo para quem não é familiarizado, mas que são  uma ferramenta importante para quem quer começar desde já a experimentar. 

Aqui em Búzios, e ela atende toda a região, eu recomendo a Iara Corrêa* que tem um sex shop e que frenquentemente oferece cursos nessa área. A Iara atende em grupos de até 15 pessoas, e há algum tempo tem ajudado mulheres a descobrir o poder de suas vaginas. O curso acontece em horários e datas programadas e os preços são diferenciados para grupos a partir de cinco mulheres.

 “A maioria das mulheres preferem o curso individual, pois surgem questões pessoais e acabamos falando de intimidades. Neste curso apresento slides para que a aluna possa entender e localizar os anéis que irão trabalhar, quais e como usar os acessórios. Classifiquei 2 grupos e cada um tem um apostila para exercícios diários e deixo meu contato para que elas, possam tirar duvidas ao longo dos exercícios. Geralmente uso o espaço da loja num horário depois do expediente, ou quando ė em grupo, no local que elas marcam”, me contou a Iara numa conversa pelo chat do facebook. Ela é super disponível. Achei o máximo. 

Uma dica importante que a Iara fez questão de frisar é que exercícios feitos sem supervisão adequada podem causar problemas como lesões, dores musculares e sangramento. Além disso, existem algumas restrições como mulheres grávidas, ou com processos  inflamatórios.

O pompoarismo assusta algumas mulheres, mas precisamos falar mais sobre o tema, já que é a nossa saúde vaginal. Sexo e saúde andam de mãos dadas, se conhecer e saber o próprio poder é o começo para uma vida sexual prazerosa e saudável.

*Iara Corrêa atende no telefone  (22) 99777-3084 ou pelo e-mail Yaracq@gmail.com




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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sexo Semanal - Sexo a Três ou Ménage a Tróis?

O sexo a três já virou moda, quase démodé, quase como quem pergunta – E aí, já pagou um boquete? Com raras exceções, a grande maioria de casais com quem converso afirma que se ainda não fizeram, foi por falta de oportunidade ou de encontrar a pessoa certa.

No último sábado estava na praia escolhendo um tema para essa coluna, e acabei meio sem querer encontrando em uma revista um artigo sobre sexo a três. Como tenho uma amiga que me pede sempre para escrever sobre o tema, achei que era uma junção cósmica favorável.

Sexo a três é como qualquer outra fantasia, o primordial é ter consentimento mútuo e estabelecer regras. Sem isso o que é pra dar tesão vira um problema no relacionamento. Aliás, tudo no sexo deveria ser assim.

A escolha do parceiro não é tarefa fácil, pelo menos para as pessoas com que conversei e nas minhas pesquisas, o mais importante é definir quem será o parceiro e se será um parceiro ou uma parceira. Dois homens e uma mulher ou duas mulheres e um homem – esse segundo em geral, é o mais comum. Mulheres sentem-se mais à vontade com amigas, pessoas mais próximas. Esse lance de prostitua em um sexo a três é delicado. “Minha primeira experiência foi com uma amiga, foi muito bom, a gente curtiu pra caramba. Foi estranho, mas ao mesmo tempo excitante ver uma mulher gemendo, sentindo prazer. Foi lindo, mas nossa amizade acabou. Não conseguimos mais ser amigas”.

  
A escolha tem de ser cuidadosa, e de certa forma a busca por esse parceiro devolve a alguns casais, segundo especialistas, a cumplicidade perdida com o passar dos anos em uma relação. “Quando eu e o meu namorado resolvemos tentar o sexo a três, foi depois de uma longa negociação. Eu escolhi a parceira, freqüentamos bares que nos indicaram, nos decepcionamos em alguns encontros. E isso tudo foi nos dando mais oportunidade e novidade no relacionamento. Era uma busca conjunta. No fim, a gente nem chegou a transar a três. O namoro acabou, mas foi divertido, talvez isso tenha nos dado mais tempo e impedido que terminássemos de forma mais agressiva. Ainda não desisti, no meu relacionamento atual, vou tentar”.

O artigo que citei no começo desse texto falava exatamente sobre essa procura. O sexo a três ainda sofre muito preconceito. E nem sempre os casais conseguem conversar sobre isso abertamente. Por isso, um novo App vem fazendo sucesso entre os casais que buscam discrição, mas ao mesmo tempo diversão. É o 3nder, um App desenvolvido a partir do tinder (App para solteiros) e que já tem cerca de 345.000 participantes. Lá você pode entrar pelo facebook ou incógnito, super democrático. Uma vez no aplicativo você pode curtir os perfis que mais lhe interessar, o programa checa as suas escolhas e uma janela é aberta. A janela dura três dias, para que você possa marcar um encontro e ver se rola. Depois disso, a janela fecha e tudo começa de novo.

Conversei com alguns “especialistas” em sexo a três que me passaram algumas dicas. A principal é não ter pressa. “Ninguém quer sair tirando a roupa feito louco e agarrando todo mundo de cara. O lance é colocar um som, tomar um vinho, relaxar. As coisas vão acontecendo e tudo vai fluindo”. Sim, existem regras para a transa a três, e lembre-se, são duas pessoas para você satisfazer. Sim, a sua maior preocupação deve ser dar prazer e não só receber. “Não rola sexo toda hora, uma hora você vai ficar meio sem ter o que fazer, invente. Inventar é uma boa alternativa, nem tudo são buracos”.

Mas quando se pensa em sexo a três, o mais comum, que vem à mente são duas mulheres e um homem. Mas algumas colaboradoras fizeram questão de lembrar que existe e muito dois homens e uma mulher. “É demais a sensação de poder que se têm quando você é o centro das atenções de dois homens. Te desejando, te querendo, beijando. Eu adorei a experiência. Pretendo repetir a dose em breve”, disse uma amiga que vejo pouco mas está sempre presente.

Esse ainda é um tabu, a maioria apenas me respondeu que nunca tentou e que não tem vontade, simplesmente por ser ciumenta ou porque tem dificuldades de aceitação. Mas nenhuma descartou a hipótese de em um futuro próximo com a pessoa certa tentarem o tão desejado – pelos parceiros em especial – sexo a três.


A liberação sexual das mulheres é sempre chocante, mesmo para mim que falo sobre isso desde sempre, não acreditava que poderia encontrar tantas opiniões sobre um tema tão cercado de tabus. Minhas amigas, de perto e de longe (esse é o poder da internet), têm mesmo muito a acrescentar. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sexo Semanal

Não vou fazer rodeios, o tema da coluna de hoje é Pornô.

Sim, as mulheres assistem pornô. Umas porque sentem tesão mesmo, outras por curiosidade, outras para agradar o parceiro, enfim quer sua mãe queira ou não, elas assistem. Claro que assistem um pouco desanimadas por se verem mal retratadas, de forma violência demais ou com corpos masculinos de menos, mas assistem.

O que não encaixa, talvez porque muitas coisas precisam de um certo tempo para se encaixarem – se é que você me entende, é que com um público tão sedento e ávido por pornô de qualidade, com história e principalmente beleza, temos tão poucas opções no mercado.

“Eu pessoalmente não curto, o ponô foi feito para o homem, tanto que a mulher é o principal objeto dos filmes héteros. Não pensam na gente. Como eu não gosto de pornô nunca parei pra pensar no assunto. Prefiro fazer a assistir. Já meu namorado é telespectador assíduo”.

Essa fala só reforça a tese de que o mercado está cego a um publico que não encontra o feedback para seus desejos. Não posso deixar de citar também de que a mulher foi criada para não gozar, aliás, esse foi um dos temas que abordamos por aqui. Se a mulher não goza, não pode sentir tesão e muito menos falar sobre isso em público, ela não consome pornô.

O preconceito com quem se diz espectador de pornô é grande e geralmente é um assunto pouco comentado. Em parte porque são situações que acontecem em momentos de particularidade, dificilmente um casal vai marcar de ver um filminho pornô em grupo. As questões sexuais são ainda muito pouco exploradas em grupo. É sempre preciso alguém “puxar o bonde”, e depois, ninguém segura.

“Eu adoro!!Adoro tudo e o que mais me deixa excitada é o menagé, fico com muito tesão. Mas ainda não fiz, infelizmente. Tanto faz dois homens ou duas mulheres”, disse uma delas mais saidinha. Essa fala me deixou intrigada, fiquei pensando em como somos amigos das pessoas, mas não ousamos falar de sexo e muito menos sobre desejos e fetiches. Mas basta uma brecha e todo mundo quer falar ,e muito.

As cenas de sexo nos filmes pornô são feitas para atender fetiches masculinos, “Meu namorado sempre me chamava para assistir pornô com ele, resistia porque quando adolescente assisti um em que uma mulher recebia um banho de porra. Eram cinco homens enfileirados, e todos gozavam na boca dela. Saí da sala e fui vomitar. Dali pra frente tinha medo de assistir pornô. Resolvi ceder. Curti muito e a gente transou muito gostoso. Foi preciso coragem para me libertar daquela cena”. As más experiências com o pornô estão nas conversas, e as reclamações também. “Queria ver mais história, mas ao mesmo tempo, essas historinhas me dão idéias para transar com meu marido, não tem jeito tem uma altura do relacionamento que a fantasia se faz necessária”, disse uma das leitoras.

Uma pesquisa da Playboy revelou que 49% dos assinantes do canal Sexy Hot  são mulheres. Um número bem significativo. Um canal holandês passa sexo explícito direcionado à mulheres 24 horas por dia, sete dias por semana. E já conta com mais de 1 milhão de telespectadores.  Dito isso, o pornô seria o novo pretinho básico das mulheres?

“Eu assisto sozinha, as vezes estou cansada, estressada, com a cabeça cheia e ligo lá, assisto lavando louça, cozinhando, me dou esse direito”, disse uma delas. Essa porém, é uma exceção, 60% das entrevistadas em uma pesquisa afirmaram que assistem pornô acompanhadas do parceiro. Será que assistir acompanhada dá à mulher a sensação de não estar cometendo nenhum pecado? Afinal, estou com meu companheiro. É, pode ser.

“Não acho que o pornô foi feito pra mulher, o foco é masculino. Tem muita mulher gostosa pra pouco homem gostoso nos vídeos”, comentou uma delas entre gargalhadas. 

“Não assisto. Já assisti, óbvio. Mas parece ter sido feito para o o homem. Reflexo da sociedade patriarcal e machista. Minha sensação é de que a mulher ocupa sempre a posição de objeto, não sendo vista como quem também sente prazer, entende?, respondeu uma delas de forma mais filosófica.

E nem quis entrar muito a fundo nas questões de machismo e misoginia, mas é impossível não citar, já que na verdade a mulher  sofre muito mais preconceito quando se diz espectadora de pornô. Mas essas questões são para outra coluna em um outro momento.

Existem opções, inclusive em sites, para que esse público tão negligenciado não fique a ver navios, o Google oferece coisas trash, bizarras e feias, mas existem opções de bom gosto para atender essa demanda crescente. Poucos mas existem, fuçando bem você encontra.

 “Quando era adolescente eu adorava aqueles filminhos do Multishow depois de meia noite, nem aparecia nada, e o tesão era demais. Eu nem transava ainda, curtia muito. Hoje casada, com meu marido a gente assiste, mas a gente mais ri do que se excita. Talvez porque o nosso sexo seja incrível, a gente desliga a TV e faz nosso show particular”, contou uma delas empolgada e fazendo gestos exagerados.

Ao final de cada discussão a sensação de liberdade e quebra de tabus é sempre muito prazerosa. O pornô é uma realidade. E para muitas mulheres serve como escape, preliminar, estudo. O pornô é uma opção. E para muitos casamentos, uma salvação. Viva o nosso pornô e nossa liberdade de assisti-lo acompanhadas ou não!