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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sexo no Carnaval

Escrever uma coluna de sexo no Carnaval é quase óbvio. Tudo no Carnaval é sexo. As fantasias, as passistas, a música, os bombados, os blocos, o carnagay, a praia, o “Chupa, mas não Baba” em Búzios. Tudo transborda sexo. E a impressão que a gente tem, ou que pelo menos eu tenho, é que todos estão consumidos em hormônios.

Nas esquinas, ninguém se importa de estar com o mínimo de roupa possível, andar na rua com orelhinhas e rabinho de gatinha (ok, eu confesso ano passado foi a minha fantasia), homens vestidos de mulher e adorando isso, casais-mesmo os mais recatados- sambando e gargalhando ao som de “olha a cabeleira do Zezé”. Misturados a sucessos do funk em ritmo de marchinha (ok, confesso de novo, ano passado eu baixei o CD inteiro de marchinhas cantadas pelos ídolos do funk).


O Carnaval foi feito para transar? Todo mundo transa no Carnaval? E como? Onde? Em que lugar? Na boate? No meio da rua? Na praia? No cantinho? Onde? Essa foi a pergunta que fiz durante a semana. No Carnaval, onde você transa? Conversei com pessoas de Búzios e Cabo Frio, cidades da Região dos Lagos. 


“Aqui em Búzios, todo mundo, nativo ou não, sabe que a praia do Canto é uma praia que ajudou muitos jovens a terem suas primeiras experiências sexuais. Em Búzios não pode ter motel, as pousadas não alugam quartos para o pernoite, então quem tá a fim de transar sem compromisso se vira na beira da praia ou nos cantos. A praça hoje tem ficado assim também, depois das duas da manhã, rola de tudo. Eu não estou mais no auge da minha juventude, mas usei muito a praia do Canto”, relatou uma entusiasmada mulher buziana nascida e criada na cidade. 


“Não temos motel e pousada é caro, o que eu e algumas amigas sempre fizemos foi escolher a casa de alguém de confiança e terminar a noite por lá”, comentou com ares de saudosismo uma das minhas colaboradoras.


“Eu prefiro não fazer sexo no Carnaval, no máximo curto uma masturbação, um boquete, que, aliás, é um clássico que nunca sai de moda. Tenho medo, ta cheio de doença venérea por aí. Já basta o que gasto em cerveja, depois ter que gastar com médico e antibiótico não dá.”, essas são as palavras de uma foliã de carteirinha. 


Que fique claro que, segundo um lema entre os meninos, “ boquetinho não se rejeita”.
“Na hora do tesão a penetração é o que menos importa, mão naquilo e aquilo na mão também quebram um galhão. Ih até rimou. Mas tem o carro também, a entrada da Tartaruga é ótima para encostar o carro e mandar bala”, as gargalhadas expressou uma divertida colaboradora dessa coluna. 
Lembrando que transar no carro em via pública é considerado um ato obsceno, configurando o crime com pena de detenção de três meses a um ano ou multa, previsto no Código Penal Brasileiro (capítulo VI art. 233). É você pode ser preso. Então a menos que você curta muito se arriscar, recomendo ter moderação e pesar as consequências. 


Seguem uma serie de comentários que recebi durante a pesquisa para essa coluna momesca: 
“Eu não sei, nunca precisei, vou descobrir pela sua coluna, hehehehe”.


“As árvores ajudam bastante, é só encostar e começar o roça-roça, logico que é preciso ter cuidado, olhar se não tem muita gente em volta, e ter cuidado porque muitos pais levam os filhos no bloco. A gente tem que ter cuidado para não ferir a liberdade do outro”.


“É na rua mesmo, no carro. Já vi gente transando até entre uns carros que estavam estacionados. E aqui em Búzios ainda tem o atrativo das praias! Praia do Canto nessa época é motel a céu aberto!”.
“A praia da Brava era um lugar muito bom, sempre mais deserto, conheço muita gente que frequentava. Búzios é um lugar com bastante lugar escondido, reservado. Mas era outra época, hoje a segurança pesa na hora de escolher um lugar deserto”. 


Vale lembrar que assim como no carro, fazer sexo em público é atentado ao pudor, então ou você se segura e encontrar um lugar, um quarto, uma pousada pagando à diária, vai pra casa ou corre o risco de parar na delegacia. Mesmo na madrugada. E parece bem claro que a praia preferida dos “foliões” é a do Canto. Então cuidado quem for de bobeira só olhar o mar hein, pode acontecer uma surpresa, ou você acabar sendo convidado para o evento, se é que me entende.


Cabo Frio 
“Aqui em Cabo Frio a gente tem mais opções, tem motel, mas mesmo assim tem gente que prefere se arriscar. Sexo é muito bom, todo mundo gosta, mas tem que ter hora e lugar. Ninguém que está só pra se divertir e seguir o trio tem obrigação de ver as pessoas se comendo feito animais no cio. O evento que existia no Carnaval por aqui era o evento do sexo ao ar livre”.


“Os motéis em Cabo Frio são ótimos eu e meu namorado sempre frequentamos. Ser solteiro e fogoso é difícil. Eu moro com meus pais e não me sinto a vontade pra transar com eles em casa. No Carnaval é certo que a diversão rola com mais intensidade.” 


Não posso finalizar a coluna sem tocar no assunto sexo seguro. Transar é ótimo, mas mesmo para quem te parceiro fixo e se previne é bom ficar ligado. Segundo pesquisa da UniCarioca divulgada na última semana, 88% dos jovens consultados admitem que poderão fazer sexo sem camisinha durante o feriado. Foram entrevistadas 1.074 pessoas durante o mês de janeiro, 73% delas jovens entre 18 e 29 anos. Sexo no Carnaval rola, e muito, mas precisa ser de forma segura e principalmente consensual. Nada de forçar ninguém a fazer nada que não tenha vontade. Curtir com a galera solteiro, namorando ou casado é sempre uma boa pedida.


Bom restinho de Carnaval para todos nós, com ou sem sexo. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A foda nossa de cada dia

Aceitei com muito medo mas com muito tesão o desafio de escrever uma coluna sobre sexo no Blog do ‘O Perú Molhado’ todo sábado. Na verdade eu sempre quis escrever sobre o tema, que é tabu e que sempre que o menciono percebo que as mulheres à minha volta se encolhem e ruborizam.
 Falar de sexo não é tarefa fácil, o tema é envolto em recalques. Grande parte das mulheres quer conversar sobre sexo, trocar experiências, contar histórias, mas fomos ‘adestradas’ a desde muito cedo não falar  sobre gozar, sobre libido, sobre fetiches porque é feio e meninas comportadas, ou no meu caso mães de família, não falam sobre suas intimidades.
Mesmo no meio das mais descoladas,  modernas e aparentemente seguras, o medo e receio são mais fortes. Parece até que estamos cometendo algum pecado muito sério, ou que alguém a qualquer momento pode repreender o grupo pelos comentários – tá certo, as vezes os comentários são exagerados – na mesa do restaurante.
O tema desse meu primeiro artigo é  a ‘A foda nossa de cada dia’. Sim, porque todas nós merecemos. Mas merecemos todo dia meia boca ou de vez em quando um espetáculo? Deixa eu explicar, não é fácil para nós mulheres chegarmos lá, é um processo. E nem sempre nossos queridos parceiros estão dispostos a gastar esse tempo. E as fodonas passam a ser fodas, fodinhas até não rolar mais nada. Não, não, não, nem pensar. É hora de virar esse jogo.
A maioria das minhas parceiras de coluna – sim elas existem e fazem a coluna junto comigo – e que me relatam suas opiniões e experiências, dizem que preferem uma foda espetacular, demorada e longa ás rapidinhas. Não que as rapidinhas não sejam importantes, elas são. Mas são uma espécie de preparação, ou  treino. Especialmente para quem tem um parceiro fixo.
phpThumbFoi interessante ver as reações à pergunta – Você prefere fodinhas durante a semana ou uma fodona no sábado? Uma pulou da cadeira em posição de sentido dizendo: “Lógico, uma fodona no sábado!”. Outra disse,  “peraí, mas por que sábado?”. Ok eu não me expliquei direito, sábado é uma suposição, digamos que seja na segunda, não é questão de data, dia marcado mas de capricho. Outra amiga disse que o parceiro é muito bom e que ela fica muito satisfeita com uma vez por semana, que é maravilhoso e que ela vê fogos de artifícios com orgasmos múltiplos e fica sem aquele tesão enorme, mas que transa com ele todos os dias apenas pelo prazer de vê-lo gozar.
Outra, essa não tem namorado e curte uma badalação, me disse que a noite reserva muitas surpresas e que ultimamente tem sido muito difícil encontrar um cara disposto a gastar tempo, realizar fetiches, tudo é muito rápido, falta delicadeza. “A parada é que tem que estar a fim. Não dá pra transar 7X por semana só porque TEM QUE transar”, disse uma delas, que anda consumida pelos estudo mas não deixa de reservar um tempinho para o prazer.
Sexo é um assunto muito complexo e divide mesmo as opiniões, causa frisson, quando uma começa a falar, os ânimos se exaltam. Nós mulheres adoramos contar umas para as outras nossas aventuras, mas que nosso parceiro nunca saiba e que nunca seja em grupo e nem com amigas das amigas. É tudo segredo, somos quase uma irmandade. E nunca falar demais nos bate papos da vida, vai que uma delas dá um print?
Tenho uma amiga que sempre que conversamos me fala sobre seu “namormigo” (o namormigo é uma novo e raro espécime que se encontra com pouco frequência, é aquele cara que é teu amigaço e que sem querer você descobre que é bom demais de cama). Como é bom, sem cobranças, sem contagem, é só sempre ‘fodástico’ como ela mesma diz. E nada de dormir de conchinha, cada um na sua casa. Esse tipo realmente está cada vez mais escasso, quem tem que segure o seu.
Eu escrevo a coluna rindo e lembrando das conversas, como é bacana ver as minhas amigas descontraídas, trocando experiências, só posso desejar um mundo onde cada vez mais possamos falar de sexo sem o sentimento de culpa. Não vou mentir para vocês, estou com uma pontinha de medo das reações á essa coluna, mas todas as opiniões serão sempre bem-vindas. Aliás, já elenco o tema do próximo sábado – Mulher sente tesão vendo o parceiro gozar? Será esse um fetiche exclusivo dos homens? Até semana que vem. :D

* A coluna é feita a muitas mãos, mande você também sua opinião sobre o tema da próxima semana. E não se acanhe, homem também pode participar  O sigilo é garantido, pode falar!Fale comigo no zap – 22 99806-8537 ou por e-mail – camilarauppcom@gmail.com